“Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio”. Atos 20.37-38
Uma última visita, um último olhar, um ultimo beijo, um ultimo abraço. Nem todos podem saber quando será a última vez. A vida, por vezes, soa como um jogo de azar. Não se sabe quando ganhamos ou perdemos até que aconteça.
Penso no papel da fé neste jogo. Fé que deveria trazer vida, mas que costumeiramente gera morte. Não a morte física, mas a morte de relacionamentos. Em nome dela fazemos loucuras, alcançamos níveis que talvez sem ela jamais chegássemos. Fé que movimenta.
E é este movimento que questiono. Por ela, ou por meio dela, passamos por cima de tudo, inclusive de pessoas. A fé que deveria nos aproximar por vezes nos distancia e separa. A fé que deveria nos unir cria guerras e desavenças que culminam na morte.
Morte que quando chega deixa um gosto amargo de dor e frustração. Que esfrega em nossas caras a nossa falta de fé. Fé pura e verdadeira. Fé que não visa interesses pessoais e terrenos, mas que foca no que está além do material.
Sinto pela falta de fé. Sinto pela ausência de uma compreensão livre de ganâncias e interesses que tentam se justificar por meio dela.
Mais uma vez as músicas do Eduardo Mano fazem a trilha sonora dos meus dias.




